Quem está ao seu lado?

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Vivemos em um mundo em que a maioria das pessoas preocupa-se muito com os status, seja econômico ou afetivo. O modo de usufruir do tempo é peculiar, aliás, baseado na agilidade. Lidamos mais com aparelhos tecnológicos do que com pessoas. A confiança do outro é quase um troféu a ser conquistado em uma prova vencida em tempo record!

Pergunto-me qual foi o momento em que possuir maior poder aquisitivo ou ter os melhores relacionamentos pessoais tornou-se sinônimo de caráter? Afinal, que mania é essa que o ser humano tem de pré julgar o outro sem conhecimento. Acontece que preferimos definir o outro pelas bonitas e (sempre) felizes fotos das redes sociais, os belos e reflexivos pensamentos publicados a cada instante…

Conversar com um amigo virou artigo de luxo, afinal temos internet que permite que o diálogo seja instantâneo principalmente! O problema é que levaram muito à sério o ditado: “tempo é dinheiro.” A conversa tem que ser na hora e quando quisermos, as respostas, não importam se bem elaboradas ou não, desde que sejam imediatas. Tirar uma tarde, noite ou algumas horas para encontrar-se com uma amiga está fora de cogitação, afinal tudo tem mais prioridade e, qualquer novidade, as mensagens das redes sociais cumprirão o papel de comunicadoras!

Não obstante, estamos sempre monitorando celulares moderníssimos, notebooks, tablets independente do local ou das companhias presentes. São refeições que não saboreamos ou contemplamos nem a montagem do prato, além de indivíduos que, não raras vezes, não vimos nem suas roupas porque simplesmente não houve tempo de olhar para o outro! Olho no olho, então, é quase um diamante em extinção…

O quanto pode ser revelado pelo olhar, quanta verdade, falas jamais pronunciadas… Como diria o mestre Saramago: “Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos?” Mas, quem tem disposição para isso!?!

A consequência nada mais é do que pessoas extremamente desconfiadas umas das outras, pois ao invés de considerarmos que a verdade é dita sempre para depois suspeitar; vemos o indivíduo como mentiroso até que prove, como se estivesse batendo o record na prova de 100 metros com barreiras, que é honesto.

Que mundo é esse que a superficialidade virou palavra de ordem e valores básicos passaram a ser julgados sem base!?! Quando foi que relacionar-se com uma máquina ficou mais importante do que com seres humanos!?!

Por que o princípio básico tem que ser a desconfiança? Afinal, não são as atitudes que provam quem somos? Ou não temos tempo nem de enxergar quem é a pessoa que está ao nosso lado?

 

Taís Almeida

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